domingo, 30 de junho de 2013

Sede de Justiça e Garantismo Penal



Uma das minhas frustrações no curso de Direito foi a de descobrir no âmbito da Ciência Jurídica quem defenda a aplicação ingênua e antissocial do Garantismo Penal. Garantismo é o nome dado ao conjunto de teoria a respeito do direito penal e processo penal, de inspiração juspositivista concebida pelo jusfilósofo italiano Luigi Ferrajoli, cuja obra maior sobre o assunto é "Direito e Razão". Significa algo como: "Estou protegido (garantido), pois está na lei (escrito/positivado)".(1)
Alguns Juristas como Júlio Gomes Duarte Neto entendem que o Garantismo é uma resposta ao "exacerbado poder punitivo conferido ao Estado", surgindo assim no mundo jurídico como doutrina criminológica de aplicação processual penal, difundida como já mencionado, pelo douto jurisconsulto Italiano Luigi Ferrajoli em seu livro: Derecho y Razon. (2)
Creio que o Garantismo Penal concebido por Luigi Ferrajoli experimenta a mesma incompreensão sofrida pelos seguidores do Comunismo de Karl Marx. O Garantismo Penal, não advoga o engessamento do Estado; não é a abominação do jus puniendi, que existe em função da sociedade e para a sociedade. No Brasil, a lei das execuções penais e a lei processual penal contém dispositivos que pretendem ser "garantistas", quando na verdade são fomentadores da impunidade, por que não respondem plenamente aos anseios da sociedade. 
Como exemplo, o instituto da Progressão da Pena, transforma a sentença judicial numa piada, numa letra morta, inócua em sua eficácia pedagógica, se é que esta é uma de suas funções (demonstrar ao cidadão infrator, a gravidade de seu ato). A exacerbada possibilidade de recursos que protela o tempo da aplicabilidade da pena, dilui o conceito do jus puniendi e fortalece a  sensação de impunidade. 
A ciência jurídica deve responder satisfatoriamente a sociedade. Doutrinas desenvolvidas  na academia, sem a necessária leitura da vida social nascem ilegítimas e não cumprem sua função de aprimorar a aplicação da justiça (anseio e razão de ser do direito). 

Os fatos concretos precisam ser levados em consideração quando o Jurista estiver a pensar o direito, deve desenvolver as bases doutrinárias da Ciência Jurídica a partir desses fatos como referenciais importantes. 
À guisa de exemplo: São Mateus, zona leste de São Paulo, durante assalto à sua casa na madrugada do dia 28, sexta-feira, o boliviano Brayan Yanarico Capcha, de apenas 5 anos é assassinado no colo da mãe, com tiros na cabeça por haver esboçado medo e chorado durante a abordagem truculenta dos meliantes. Este é apenas mais um episódio que expressa a crueldade dos criminosos em nosso país e que exigem respostas adequadas de nossas autoridades e dos Cientistas Sociais, dentre os quais os aplicadores do Direito.
Por outro lado, observa-se no Brasil um descompasso entre a lei e a sociedade, pelo crescente exercício da Auto tutela (em tese, fica aqui a proposta de pesquisa científica a respeito). E por que isso, senão pelo fato de que o estado não tem correspondido em aplicar o jus puniendi satisfatoriamente? Fica a pergunta: O Garantismo Penal da forma como tem sido interpretado, responde  ao fenômeno da crescente criminalidade? Tem a Ciência Jurídica, responsabilidade proativa no caráter das leis de um estado? ou ela simplesmente interpreta o desenvolvimento das leis que a própria sociedade elabora positiva e/ou consuetudinariamente?
Referências

terça-feira, 4 de junho de 2013

ONDE É QUE NÓS ESTAMOS? E ONDE VAMOS PARAR?



Estava retornando para casa depois de mais um expediente no Quartel, quando ouvi através do rádio da viatura um comunicado do CIOPS (Centro Integrado de Operações de Segurança), acionando uma de nossas guarnições motorizadas que executam a Ronda da Comunidade na região Metropolitana de São Luís – MA, para atender a mais uma ocorrência desta terça-feira 04/06.


Mas, o que me chamou a atenção foi a inusitada “ocorrência” de um pai que se sentindo impotente diante de seu filho menor, acionava a polícia a fim de gerenciar um problema eminentemente de ordem familiar, uma vez que o seu “filhinho” o ameaçava.

O bairro Anjo da Guarda é um dos mais populosos da Capital e tem uma tradição salutar da representação teatral da Via-Sacra que já faz parte do calendário cultural oficial do governo do Estado. E era precisamente uma das famílias desse bairro que receberia a “estranha” intervenção policial.
A guarnição ainda surpresa retornava ao CIOPS sua interpretação da ordem recebida a fim de permitir pelo feed-back eventuais possibilidades de correções:
- Ok, Polícia Militar em deslocamento para apoiar a disciplina da família; quando a família não disciplina é a polícia que o fará (observava indignado o interlocutor da guarnição).
O Rádio-comunicador do CIOPS endossou:
- Isso mesmo! A missão é convencer um menor de que é um dever prestar obediência aos pais.
A partir daí meus pensamentos passaram a considerar a triste realidade do mundo em que vivemos, e a indagar: ONDE É QUE NÓS ESTAMOS? E PARA ONDE VAMOS PARAR?

Sempre tive a convicção de que nós policiais deveríamos ser acionados, somente quando todos os recursos de negociação e gerenciamento de conflitos se mostrassem inócuos. As três grandes instituições sociais formadoras do caráter, afirmam os especialistas, são a família; a escola e a igreja. Quando elas falham, a polícia entra em cena como ferramenta de controle do Estado para a garantia da ordem social.

Por isso é que lamentei o episódio de hoje. Prova inequívoca de uma família desestruturada; de um sistema de ensino ineficiente; de um ministério religioso que ainda não conseguiu atingir plenamente os objetivos de sua vocação. Sei que há muitas outras variáveis a serem consideradas na avaliação dessa questão: como garantir que as futuras gerações possam viver e cultivar a paz?
Será que um dia a hipótese de Skinner se confirmará? Ou seja, conseguiremos desenvolver uma Ciência do Comportamento capaz de produzir em série senão um caráter padrão, pelo menos uma sociedade capaz de reproduzir um padrão comportamental almejado que garanta a boa convivência social? Com a palavra: os filósofos; psicólogos; sociólogos; teólogos, e por que não dizer... Você? Pois, no fundo somos um pouco de cada um deles.

Tenente Coronel PM Celso Jardim

Atual Comandante do 1º BPM em São Luís - MA

Mãe, um ser singular!




              A pedagogia divina tem lançado mão de vários recursos a fim de ensinar-nos profundas verdades espirituais:  o ritual do Santuário, com seus utensílios e personagens, transmite-nos a forma como Deus age para com o pecado; o sacrifício substitutivo do cordeiro de Deus; o amor que salva da morte ( o salário do pecado), o pecador  verdadeiramente arrependido.

                  Outras vezes essa pedagogia lança mão de parábolas  através das quais Jesus explora o poder da Palavra, através da ilustração de elementos tão comuns  ao nosso dia-a-dia, a fim de transmitir-nos as verdades eternas: o lírio dos campos; a rede lançada ao mar; a semente lançada ao solo em terrenos diversos; um diligente Pastor que se preocupa com uma única ovelha perdida, etc.

                Porém, dentre os recursos utilizados por essa pedagogia celeste, a figura materna é especialmente singular. Gostaria de considerar algumas lições que a Palavra de Deus nos ensina em torno dessa personagem tão amada por todos nós.

            Conta-se que nos tempos do Rei Salomão, quando a coroa tinha um poder absoluto sobre os homens; podendo os reis exercerem naturalmente as funções de legislador e juiz. Salomão adotou uma processualística interessante ao julgar uma causa envolvendo duas mães. O relato se encontra em I Reis, capítulo 3. Os versículos 16 a 28 do referido capítulo introduz no texto Sagrado, o tema do amor materno na corte de Salomão. 

               Duas mulheres foram até perante o Rei a fim de reclamarem pelo reconhecimento da maternidade de um único menino. Ocorre que as duas mulheres moravam na mesma casa, porém uma delas, enquanto dormia acabou por sufocar involuntariamente, o seu filho ao virar-se por cima dele. Pela manhã, ao perceber que seu filho estava morto, pela manhã bem cedo, o trocou tomando o filho vivo da outra mulher enquanto esta ainda dormia.
 

             Percebendo que o menino que jazia morto ao seu lado não era seu filho, a mulher cujo filho estava vivo, passou a reclamar da outra pelo seu verdadeiro filho surgindo daí o conflito que foi parar na corte de Salomão. 

             Creio que se a Salomão fosse dado viver em nossos dias, perplexo ficaria diante de notícias como a daquela "mãe" que abandonou sua filhinha no lixo, em uma noite fria de São Paulo! É que vivemos tempos difíceis e desafiadores, tempos que desafiam a razão, a lógica, a ciência. Vivemos os últimos dias deste mundo, tempos nos quais Jesus questionou: "porventura, quando vier o filho do homem, encontrará amor na face da terra?" (Mateus24,12) e ainda, "...e por se multiplicar a iniquidade, o amor de quase todos esfriará.

           O relato bíblico prossegue com a brilhante e assustadora decisão do Rei Salomão, ordenando um dos seus soldados a tomar a sua espada e dividir o bebê disputado, e dar metade do menino a cada uma das mulheres. 
  
        Aqui, a ausência de espírito materno revelou a máscara por trás de uma das mulheres que não sendo a verdadeira mãe apoiou a decisão do Rei, enquanto a verdadeira mãe temendo pela vida de seu filho clamou ao Rei que o desse à impostora. Salomão então concluiu sabiamente a quem entregar o menino. A verdadeira mãe havia se revelado. Seu amor preferia vê-lo vivo nos braços de outra mulher. 

           A Palavra de Deus, como luz a brilhar em meio às trevas, lampeja palavras de consolo, permeadas de amor ao declararem Isaías 49:13-15: 

Exultai ò ceús, e alegra-te ò terra, e vós, montes, rompei em cânticos! Pois o Senhor consola o seu povo, e dos seus aflitos se compadecerá. Mas Sião disse: O Senhor me desamparou,  o Senhor se esqueceu de mim. Pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama, de modo que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse, eu, todavia, não me esquecerei de ti. 

       Assim, prezados filhos, todos nós somos frutos de uma maternidade assumida. Se tendes no amor de vossas mães, um exemplo digno de ser honrado, é neste amor que o Autor do universo Se utiliza para fazer-nos entender a grandiosidade do Seu próprio amor. 
          Prezado leitor, que nestes tempos enquanto vives no limiar da história, a lembrança do amor de uma dedicada mãe seja um meio eficaz a te assegurar o quanto o Pai te ama. Que Deus te abençoe e te guarde

            Celso Jardim

quinta-feira, 2 de maio de 2013

O Segredo do Casamento




Queremos compartilhar esse belíssimo e inteligente texto:


            Meus amigos separados não cansam de me perguntar como eu consegui ficar casado trinta anos com a mesma mulher. As mulheres, sempre mais maldosas que os homens, não perguntam a minha esposa como ela consegue ficar casada com o mesmo homem, mas como ela consegue ficar casada comigo.

Os jovens é que fazem as perguntas certas, ou seja, querem conhecer o segredo para manter um casamento por tanto tempo. Ninguém ensina isso nas escolas, pelo contrário. Não sou um especialista do ramo, como todos sabem, mas, dito isso, minha resposta é mais ou menos a que segue.

Hoje em dia o divórcio é inevitável, não dá para escapar. Ninguém agüenta conviver com a mesma pessoa por uma eternidade. Eu, na realidade, já estou em meu terceiro casamento - a única diferença é que me casei três vezes com a mesma mulher. Minha esposa, se não me engano, está em seu quinto, porque ela pensou em pegar as malas mais vezes do que eu.

O segredo do casamento não é a harmonia eterna. Depois dos inevitáveis arranca-rabos, a solução é ponderar, se acalmar e partir de novo com a mesma mulher. O segredo, no fundo, é renovar o casamento, e não procurar um casamento novo. Isso exige alguns cuidados e preocupações que são esquecidos no dia-a-dia do casal. De tempos em tempos, é preciso renovar a relação. De tempos em tempos, é preciso voltar a namorar, voltar a cortejar, voltar a se vender, seduzir e ser seduzido.

Há quanto tempo vocês não saem para dançar? Há quanto tempo você não tenta conquistá-la ou conquistá-lo como se seu par fosse um pretendente em potencial? Há quanto tempo não fazem uma lua de mel, sem os filhos eternamente brigando para ter a sua irrestrita atenção? Sem falar nos inúmeros quilos que se acrescentaram a você, depois do casamento.

Mulher e marido que se separam perdem 10 quilos num único mês, por que vocês não podem conseguir o mesmo? Faça de conta que você está de caso novo. Se fosse um casamento novo, você certamente passaria a freqüentar lugares desconhecidos, mudaria de casa ou apartamento, trocaria seu guarda-roupa, os discos, o corte de cabelo e a maquiagem. Mas tudo isso pode ser feito sem que você se separe de seu cônjuge.

Vamos ser honestos: ninguém agüenta a mesma mulher ou marido por trinta anos com a mesma roupa, o mesmo batom, com os mesmos amigos, com as mesmas piadas. Muitas vezes não é sua esposa que está ficando chata e mofada, são os amigos dela (e talvez os seus), são seus próprios móveis com a mesma desbotada decoração. Se você se divorciasse, certamente trocaria tudo, que é justamente um dos prazeres da separação. Quem se separa se encanta com a nova vida, a nova casa, um novo bairro, um novo círculo de amigos.

Não é preciso um divórcio litigioso para ter tudo isso. Basta mudar de lugares e interesses e não se deixar acomodar. Isso obviamente custa caro e muitas uniões se esfacelam porque o casal se recusa a pagar esses pequenos custos necessários para renovar um casamento. Mas, se você se separar, sua nova esposa vai querer novos filhos, novos móveis, novas roupas, e você ainda terá a pensão dos filhos do casamento anterior.

Não existe essa tal "estabilidade do casamento", nem ela deveria ser almejada. O mundo muda, e você também, seu marido, sua esposa, seu bairro e seus amigos. A melhor estratégia para salvar um casamento não é manter uma "relação estável", mas saber mudar junto.

Todo cônjuge precisa evoluir, estudar, aprimorar-se, interessar-se por coisas que jamais teria pensado fazer no início do casamento. Você faz isso constantemente no trabalho, por que não fazer na própria família? É o que seus filhos fazem desde que vieram ao mundo.

Portanto, descubra o novo homem ou a nova mulher que vive ao seu lado, em vez de sair por aí tentando descobrir um novo e interessante par. Tenho certeza de que seus filhos os respeitarão pela decisão de se manterem juntos e aprenderão a importante lição de como crescer e evoluir unidos apesar das desavenças. Brigas e arranca-rabos sempre ocorrerão: por isso, de vez em quando é necessário casar-se de novo, mas tente fazê-lo sempre com o mesmo par.


Stephen Kanitz é administrador por Harvard (www.kanitz.com.br)
Editora Abril, Revista Veja, edição 1922, ano 38, nº 37, 14 de setembro de 2005, página 24

Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus




Testemunho da Irmã Francineide Aires Castro da Silva, Acadêmica de Letras na Universidade Federal do Maranhão, Conselheira de Jovens e Vice-Diretora da Escola Sabatina, da Igreja Central de Balsas - MA.


Em agosto de 2005 ingressei na Faculdade Piauiense (FAP) para cursar Pedagogia, quando estava para cursar o 4º período do referido curso em 2007, o meu esposo que comandava o 11º Batalhão de Polícia Militar, sediado na cidade de Timon - MA foi transferido para a cidade de Balsas – MA, cidade situada no sul do estado do Maranhão, bem longe de onde nós estávamos e eu obviamente tive que acompanhá-lo.

Ingressei então no Centro de Estudos Superiores da Universidade Estadual da cidade de Balsas, como o referido Centro não disponibilizava o curso de Pedagogia, matriculei-me no curso de Letras, que segundo a Coordenação Acadêmica, tinha uma grade curricular compatível com as disciplinas que já havia cursado até então na faculdade anterior.

Como o curso era noturno comecei a enfrentar sérios problemas com relação às aulas das sextas-feiras (que como sabemos, são horas sabáticas) veja a postagem Tempo de qualidade para o nosso Deus Criador, sobretudo na disciplina de Latim, ministrada pela professora Gisélia Brito, uma jovem de 25 anos e extremamente católica.

As aulas de Latim ocorriam somente às quintas e sextas-feiras o que, para mim, significava que perderia 50% da carga horária. O problema era que o máximo de faltas tolerável era de 25%. Sabia que se não procurasse uma saída alternativa para abonar as minhas faltas estaria praticamente reprovada.

Em virtude de Latim ser uma disciplina complexa e que exige o máximo de assistência do aluno para ser assimilada, achava-me completamente alheia sempre que assistia às aulas de quinta-feira. Como se não bastasse minha visível dificuldade de aprendizagem comecei a receber críticas e pressões de minha professora que tentava a todo custo convencer-me a assistir as aulas nas horas sabáticas de sexta-feira à noite; ela me dizia em plena sala de aula perante os colegas:

- O meu Deus não castiga, Francineide! Você é uma pessoa de pouca fé em achar que seu Deus não vai te perdoar.

Até que um dia, chamou-me para uma conversa particular logo após a aula e disse que se eu não comparecesse às aulas no sábado certamente ficaria reprovada em sua disciplina.

Foi então que propus em meu coração ser fiel a Deus ainda que isso me custasse a reprovação; pensei em trancar a disciplina por que estava realmente muito difícil de acompanhar o conteúdo complexo das declinações latinas assistindo apenas uma aula por semana. Porém, lembrei-me das promessas maravilhosas do Senhor que nos ajuda quando lhe somos fiéis. Dirigindo-me a Ele orei: Senhor! Farei a minha parte e Tu farás a Tua.

Passei várias madrugadas estudando a complexa gramática latina, até que chegou o tão temido dia da avaliação que estava marcado (não sei se a propósito) para ocorrer numa sexta-feira. Dirigi-me então à professora Gisélia para dizer-lhe que não iria comparecer à avaliação de sexta-feira e para a minha alegria, sabendo que era a resposta de Deus por minha fidelidade, ela me disse que poderia submeter-me à avaliação na casa dela.

Por outro lado, a situação sui generis proposta pela professora se constituía em mais uma prova, seria só eu e ela, ou melhor, ela, eu e o meu Deus. Estudei como nunca havia estudado, passei várias noites acordada tentando aprender o que não conseguia assimilar na faculdade e com a ajuda de Deus e do meu esposo que muito me auxiliou nos estudos e acompanhando-me nos exercícios das declinações latinas durante as madrugadas, fui conseguindo entender tudo o que antes parecia impossível.

A barreira intransponível foi derrubada por aquele que é o dono de todo o saber, e que dá sabedoria a quem ele ama. Encontrava-me visivelmente cansada no dia da prova, era um domingo pela manhã quando cheguei à casa da professora acompanhada pelo meu esposo.

Ao vê-lo ela ainda observou:

- Já fiz de tudo para essa moça assistir às aulas das sextas-feiras.

Submeti-me à avaliação e para minha satisfação, fui a única a obter a nota máxima (10,0), enquanto a média geral da disciplina ficou abaixo de 7,0. Recebi uma mensagem da professora pelo celular revelando-me a nota e parabenizando-me pelo feito. Foi assim que conquistei o especial respeito e a grande e sincera amizade da professora de Latim.

Ela passou a considerar-me chegando ao ponto de transferir o horário das aulas que ocorriam esporadicamente nas manhãs de sábado, para a noite. Tive então oportunidade de falar-lhe mais abertamente sobre o meu Deus e da guarda do sábado.

A professora conseguiu aprovação para o mestrado e deveria se ausentar de Balsas – MA e viajar para Goiânia – GO onde deveria cursá-lo, porém antes de sua partida convidei-a para um almoço bem especial em minha casa; na ocasião presente-ei-lhe com uma Bíblia; um exemplar do livro “Os dez Mandamentos”; um exemplar do livro “Esperança para Viver”; uma revista Adventista especial sobre o Sábado e um curso bíblico.

A professora Gisélia, antes de viajar, endereçou-me uma carta em que revela o quanto tem sido gratificante para ela, enquanto professora ter uma aluna aplicada como eu, manifestou enfim, a admiração especial que passou a nutrir por mim em trechos que encontram-se transcritos a seguir:


“... foi um prazer ter você em minhas aulas...”;
“... são pessoas como você que fazem valer à pena o esforço de ensinar...”;
“... admiro muito você... sua presença e suas participações enriqueceram minhas aulas.”
Isso muito me emociona, mas ficarei mais feliz quando minha professora passar a admirar, ou melhor, adorar ao Deus criador e redentor nas sagradas horas sabáticas. Ainda trago na mente o momento singular em que fizemos juntas, pela primeira vez, uma oração em família na sala de jantar de minha casa no dia daquele almoço especial.

Hoje, ela encontra-se em Goiânia fazendo o seu mestrado, oro para que Deus a torne mais uma guardadora dos Seus mandamentos.



Francineide a protagonista desta história



quinta-feira, 14 de outubro de 2010

70x7 Muito mais que um simples produto


Pedro acabara de questionar a Jesus sobre quantas vezes deveria perdoar um irmão que contra ele pecasse, e seu caráter inquieto que sempre o caracterizou antecipando-se à resposta do mestre, arriscou de pronto um palpite: “até sete vezes? Imaginou Pedro, ser isto mais que suficiente e esperava a aprovação de Jesus pela sugestão interposta”. No entanto, a resposta de Jesus soou-lhe desconcertante: “Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete”. (Mt. 18:21 – 21), havia sido reprovado!

Desta passagem bíblica, geralmente somos rápidos em considerar que o produto (70x7), é mais um fator simbólico da disposição de Deus em “sempre” perdoar o pecador arrependido. Conquanto seja verdade que o amoroso Pai Jeová é mui misericordioso, cujo caráter Jesus tão bem representou por preceito e exemplo, numa ocasião, retratando a solicitude do Pai em perdoar, na Parábola do Filho Pródigo; noutra, ao perdoar a mulher adúltera e ainda por implorar ao Pai, no alto da cruz, perdão para os seus algozes.



No entanto, não teria Jesus incluído este produto (70x7) à sua resposta, por uma razão mais especial? Afinal, se é que a idéia aqui ensinada tenciona enfatizar unicamente a “ilimitada” misericórdia de Deus para com o pecador arrependido, o produto poderia perfeitamente ser substituído por... 1000 (mil), por exemplo, e a resposta de Jesus soaria mais ou menos assim: “Não te digo que até sete vezes, mas até mil vezes”, e isto sem prejuízo do sentido, com a vantagem de que “mil” é um número de valor absolutamente maior que o produto (70x7 = 490).
Além do mais, mil tem status de ser um número bíblico. Pedro o mencionou ao afirmar que “para com o Senhor, um dia é como “mil” anos, e “mil” anos como um dia” (II Pdr. 3:8); ainda, no capítulo 20 do Apocalipse ele aparece triunfante, com dupla aplicação, a primeira na prisão milenar de satanás; a segunda, no milênio glorioso dos Santos no céu, (Apoc. 20:1-6). Mas, em detrimento das razões aqui arroladas e por mais fortes que possam ser os argumentos a favor do número “mil”, Jesus preferiu (70x7)! Longe de mim, a pretensão de substituir qualquer porção das Escrituras Sagradas e ser por isto, amaldiçoado conforme (Apoc. 22:19), porém, creio que o sábio mestre de Nazaré pretende ensinar-nos uma verdade bem maior e mais urgente!
















Quero compartilhar ao prezado leitor a luz que o Espírito Santo outorgou-me sobre o texto em questão.Reestudando a doutrina do Juízo investigativo e a profecia das 2.300 tardes e manhãs de Dn. 8:14, percebi que apenas à luz do que está escrito em Dn. 9:24, a resposta de Jesus pode ser perfeitamente compreendida: “setenta semanas então determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade...”, assim começou o anjo a explicar para Daniel a profecia das tardes e manhãs.

Do período profético representado pelos 2.300 dias ou anos (ver Ez. 4:6; Nm. 14:34, antecedentes bíblicos que estabelecem a relação de um dia profético, representando um ano literal), setenta semanas ou seja, os primeiros 490 dias (70x7), seriam reservados para o povo Judeu (“o teu povo e a tua santa cidade”), correspondendo a um período de graça, um período de misericórdia, que começa com retorno dos Judeus à sua Pátria, assegurado pelo decreto de Artaxerxes no sétimo ano do seu reinado, isto por volta do ano 457 AC, conforme o anjo havia predito (Ed. 7:7,11), a saber, desde a saída da ordem para restaurar e para e edificar Jerusalém (Dn. 9:25).

Notemos que este período, conforme diz o anjo, estava determinado: para fazer cessar a transgressão; para dar a fim aos pecados; para expiar a iniqüidade; para trazer a justiça eterna; além de servir para (confirmar) ou selar o restante da visão e da profecia, e para ungir o Santo dos Santos.
Jesus não poderia encontrar período mais significativo para ilustrar a maneira como Deus trata o pecador. Ao responder a Pedro. “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete”, Jesus não estava levando a questão do perdão ao nível da pergunta do Apóstolo.

Pedro preocupava-se com o aspecto quantitativo do perdão. Porém, Jesus pretendia lembrá-lo do aspecto qualitativo segundo o qual, há um tempo de graça, há um tempo de misericórdia para o perdão de Deus, tipificado nas setentas semanas (70x7), reservadas para os Judeus. De fato, várias características, levam-nos a considerar ser este período de graça concedido especialmente aos Judeus, um tipo do tempo da graça que Deus concede à humanidade, senão vejamos:
1 – As setentas semanas (70x7 dias) de graça, começa com um DECRETO REAL, concedendo libertação, tendo os Judeus a oportunidade de livremente retornar à sua Pátria depois de setenta anos de cativeiro. Assim, Deus proveu a humanidade escrava do pecado, livramento através do sacrifício de Jesus, “o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1:29), e o brado “Está consumado” pelo “Rei dos Reis e Senhor dos senhores” na cruz (Jo 19:30) soa como um DECRETO REAL, a confirmar a libertação a quantos se aproximam do calvário.
2 - A última semana das setenta reservadas aos Judeus é especialmente importante, “se estende do ano 27 ao ano 34 de nossa era. Cristo, a princípio em pessoa e depois pelos seus discípulos, dirigiu o convite do evangelho especialmente aos Judeus. Ao saírem os Apóstolos com as boas novas do reino, a recomendação do Salvador era: “Não ireis pelos caminhos das gentes, nem entrareis em cidades de samaritanos; mas ide às ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mt. 10:5 e 6).
As setenta semanas, especialmente conferidas aos Judeus, terminaram no ano 34. Naquele tempo, pelo ato do Sinédrio judaico a nação selou sua recusa aos Evangelhos pelo martírio de Estevão e perseguição aos servidores de Cristo. Assim, a mensagem da salvação, não mais restrita ao “povo escolhido”, foi dada ao mundo (Grande Conflito pg. 327). A indiferença e flagrante hostilidade com que os Judeus principalmente na ÚLTIMA SEMANA do seu tempo de graça, trataram o convite do evangelho e seus proclamadores, retrata a situação da humanidade nos ÚLTIMO DIAS, comparado por Jesus como nos dias de Noé (Mt. 24:37 – 39).
3 – Como resultado de sua rebelião para com o filho de Deus, os Judeus foram desqualificados como “povo escolhido”, isto no fim dos 490 anos (70x7), ano 34 d.C (com o martírio de Estevão e início da perseguição aos Cristãos). O que há mais de mais lastimável na vida do homem, senão o de perder sua condição de “escolhido de Deus”? Assim, o fim das setenta semanas, o fim do período de 490 anos ou 70x7, é um tipo do fechamento da porta da graça (ver Mt. 25:11 – 13).
“Não te digo que até sete; mas, até setenta vezes sete”, foi a resposta de Jesus a Pedro, uma resposta precisa, cabal, ao mencionar o tempo da graça tipológico dos Judeus, Jesus nos ensina que enquanto durar o tempo da graça, enquanto a porta estiver aberta, haverá possibilidade de perdão ao pecador arrependido, ao coração quebrantado.
Muitos ao se depararem com este texto não percebem que Deus tem um tempo determinado para tudo, até para o perdão.
Amado leitor, perto está o tempo quando as nossas setenta semanas se findarão, dando lugar à sentença: “Continue o injusto fazendo injustiça, continue o imundo ainda sendo imundo; o justo continue na prática da justiça e o santo continue a santificar-se” (Apoc. 22:11).

Observemos que não é Deus quem perde a capacidade ou a disposição de perdoar, antes é o homem que não sentirá mais arrependimento pelo pecado, este é o preço que terá de pagar a humanidade pecadora; a insensibilidade crônica, permanente, irreversível ante as bênçãos de Deus. A consciência cauterizada será a maldição do injusto e do imundo, o preço da constante resistência ao mover do Espírito em seu coração e consciência!
Por outro lado, quanta alegria para os justos e santos, em terem garantida, após o fechamento da porta da graça, um sempre crescente aprimoramento espiritual! Em qual destes dois grupos pretendes estar? Que Deus ilumine tua decisão.
Amém!